Thursday, November 09, 2006

"JESUS CAMP"




Clique no link para ver trailer do documentário "Jesus Camp", sobre o fundamentalismo religioso e político nos States.
http://www.youtube.com/watch?v=y_EKHK1C2IE
Site do filme:
www.jesuscampthemovie.com

Wednesday, October 25, 2006

Bahia com Augusto de Lima

Thursday, October 12, 2006

Diamantina P&B

Diamantina

Retalhos - Diamantina

Sunday, October 08, 2006

Telhado em Tiradentes

Thursday, October 05, 2006

FÓRMULA DE CÁLCULO DO BRILHO DE UMA ESTRELA CEFEIDA

"O seu brilho aparente é igual ao brilho intrínseco multiplicado pelo inverso do quadrado da distância da estrela."

Wednesday, October 04, 2006

Menino caçador


Enquanto fazíamos pesquisa de campo na reserva maxakali este menino posou de caçador para minha câmera.

Pinheiro Maxakali


Pinheiro também é professor em sua aldeia e aluno da Universidade Indígena da UFMG. Atualmente ele mora numa reserva provisória chamada Duas Lagoas perto de Campanário em Minas Gerais.

Isael Maxakali


Isael Maxakali é professor em sua aldeia. Ele é aluno da Universidade Indígena da UFMG. Com o salário de professor, Isael acabou de comprar um carro Gol.

Totó Maxakali


Totó é um pajé maxakali. É impressionante a quantidade de conhecimento que ele retém na memória: uma infinidade de cantos, receitas de remédios da mata e outros conhecimentos de sua tradição.

Tuesday, October 03, 2006

Porta-canetas maxakali


Marcelinho Maxakali, aluno do magistério indígena de Minas Gerais, descobriu outra função para o buraco do botoque...

Sunday, October 01, 2006

A Day Without Immigrants Music Video

Sunday, September 24, 2006

hendrix

Saturday, September 23, 2006

fora de moda

detesto moda, mas adoro roupas

Friday, September 22, 2006

Alta Vila

Saturday, September 09, 2006

PRAVÊ


Pavê de maracujá sobre toalha de xita.

Sunday, July 30, 2006

Mexerico


Isso foi um acidente com um caminhão carregado de mexerica numa rodovia saindo de BH na semana passada. Claro que a galera parou pra comer mexerica de graça. Inclusive eu.

Thursday, July 20, 2006

Monday, July 17, 2006

Wednesday, July 12, 2006

Arlindo Machado

Entrevista do Arlindo Machado no Caderno Mais! da Folha de São Paulo no dia 09/07/06:
"Provavelmente, daqui para frente, o pensamento não será mais necessariamente escrito. Será escrito, também, mas haverá outras formas de manifestação do pensamento que não unicamente essa. (...)
Acho que vivemos um período de transição. Continuamos a publicar livros. Mas você vê que as novas gerações têm cada vez mais dificuldade de lidar com essa civilização do livro.
Por outro lado, são absolutamente eloquentes qnd pegam uma câmera na mão, qnd estão na frente de um computador, de um programa de edição. Há facilidade em lidar com essas linguagens e dificuldade em colocar sujeito, verbo e complemento numa frase.
É uma mutação que está acontecendo."
Concordo plenamente.

Literatura não. Comunicação.

A disciplina Literatura deveria ser abolida nas escolas de primeiro e segundo graus. Em seu lugar entraria a disciplina Comunicação. E a literatura seria estudada como uma linguagem entre as várias. Porque priorizar o estudo da literatura sendo que ela não é o tipo de linguagem mais consumido pelos jovens? Há o argumento de ser a literatura a guardiã da língua pátria. Bobagem. Mentira. Se se quer assim, a língua "pátria" está na novela, nos filmes, nos quadrinhos, na música, às vezes muito mais viva que nos livros. Bem provavelmente a literatura é o tipo menos consumido de linguagem hoje em dia. O cinema é mais consumido que ela. E a televisão, mais que todos. Cinema, vídeo, teatro, música, jornal, design, estariam incluídas nesta disciplina. Isto ajudaria a acabar com a hegemonia da literatura, o que lhe acarreta um bocado de antipatia por parte dos estudantes. Far-se-ia uma reciclagem e talvez 60 % do que se ensina de literatura atualmente seria deixado de lado.
A vantagem seria trazer maior perspicácia, capacidade de análise e senso crítico aos alunos sobre o que eles consomem diariamente.É preciso fazer uma reforma geral no ensino.
A maior sacanagem que tem é obrigar professores de língua portuguesa darem aulas de Literatura. Quem passou por uma faculdade de letras sabe que normalmente quem se interessa pela área de Linguística tem birra dos estudos literários. Então o profissional se volta totalmente para o estudo de língua. Só que, quando chega no mercado, o sistem o obriga a assumir as aulas de Literatura. O que é, repito, uma sacanagam com os alunos. Pois aquele profissional que nunca se interessou pela Literatura, e muitas vezes tinha raiva de ter que estudar obras literárias, tem que ensinar o que não gosta, o que não sabe.Mas antes disso já há outros erros.
Na Universidade os estudos literários deviam pertencer à Faculdade de Filosofia e Letras, como acontece numa USP, por exemplo. E não como acontece numa UFMG: Faculdade de Letras separada das outras áreas de estudo que têm mais afinidade com a Literatura: as ciências humanas e as artes da comunicação. A meu ver a Faculdade de Letras deveria ficar encarregada dos estudos e pesquisas linguísticos. Os estudos literários deviam pertencer à Semiótica, disciplina vinculada à Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras.
Voltando ao ensino básico: a disciplina Literatura seria abolida e em seu lugar entraria a disciplina Comunicação. Para dar as aulas de Comunicação o professor teria de ser formado na Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras, na área de Comunicação, Semiótica ou Estudos Literários (agora pertencendo não mais à Faculdade de Letras). Este professor sim estaria preparado para ensinar teatro, literatura, cinema, design, moda, etc.
Isto seria uma revolução no ensino no Brasil. Melhoraria significativamente a qualidade do ensino nas nossas escolas e a formação da juventude.

D. DILMA DE MINAS NOVAS


D. Dilma é moradora de Minas Novas há dezoito anos. Nasceu no córrego do Pari, “na beirinha do rio Araçuaí”, no dia 11 de novembro de 1959. Solteira, tem um filho de 22 anos. Trabalha “com garimpo, com porco, com galinha, com cachorro, com tudo”. D. Dilma joga versos.

VERSOS DE D. DILMA
Os versos seguintes foram transcritos de fita cassete com entrevista que realizei com D. Dilma no dia 10 de junho de 2006 em Minas Novas, derivada de um trabalho de pesquisa sobre a literatura regional pelos alunos da disciplina de Teoria da Literatura I do curso de Letras da Faculdade de Filosofia e Letras de Diamantina-FAFIDIA. Saboreiem.

RAPAZ BONITO
O rapaz pra ser bonito
Eu vou falar aqui de frente
Que a laranja pra ser doce
Há de ter pouca semente
E o moço pra ser bonito
Há de ter falha nos dentes

MOÇA BONITA
O cabelo dessa moça
Não penteia com gordura
Penteia com brilhantina
Pra cheirar rosa madura

PROFESSOR
Professor bonitinho
Boca de limão doce
Se eu pudesse eu te levava
Em toda parte que eu fosse

EU MAIS ‘OCÊ
Bonito você falou
Bonito vou responder
Que as pedras do mar encontra
Quem diria eu mais ‘ocê

JORNALÁRIO




O Jornalário é o antigo Boletim Informativo - Letras, editado na Faculdade de Letras da UFMG nos idos de 1996. O nome Jornalário foi retirado de um poema de Haroldo de Campos no seu livro Galáxias. De Boletim oficial da Faculdade o Jornalário se tornou um jornal literário mais livre, e pretendia expandir-se para outras áreas, mas não durou mais que duas edições. Eis que ele ressurge porém, ressuscitado em bits, como uma fênix digital, no mundo virtual da Internet. Saravá Jornalário!

LEIA CELTON



Sou fã do Celton, o herói de HQs criado por Lacarmélio. Gosto das suas histórias ambientadas em Belo Horizonte. Lacarmélio é cheio de estilo, principalmente nas capas das revistas. É também um exemplo de dedicação e resistência. E amor ao que faz.
Ainda nos anos oitenta certa vez surgiu no muro em frente à casa onde eu morava no bairro Sagrada Família a inscrição "Leia Celton". Depois percebi que a mesma inscrição estava em vários locais da cidade. Muitos se perguntavam o que significava aquilo. Até que um dia descobri que Celton era o nome da "revistinha" de Lacarmélio, um cara que, pioneiro, se atrevia a fazer algo que normalmente nos chegava por Disneys, Marvels e, no máximo, Maurícios de Souza da vida. Lacarmélio era pra mim o primeiro quadrinista de Belo Horizonte. E seu afã nessa atividade era digna mesmo de um super herói. Contra todas as dificuldades, Lacarmélio continuou, até a consagração de dar entrevista no Programa do Jô, a desenhar, escrever e publicar suas histórias, inspiradas em fatos reais e cotidianos da cidade, como "A modelo e os políticos" e "Motoboy", ou em lendas urbanas, como a "Loira do Bonfim" e o "Capeta do Vilarinho". Pode-se dizer que o próprio Lacarmélio se tornou uma lenda belorizontina, personagem de uma história de luta e heroísmo. Uma verdadeira inspiração contra o marasmo. Que continue.

Wednesday, July 05, 2006

Metal Mineiro - Minério




Ontem tava na casa do Teddy com Broa e Giscard para ouvir cd novo do WitchHammer, banda do Teddy (cujo show é no dia 16/07 no Matriz), e demo do BeckBandeja, banda do Broa.
Depois jogamos uma partida de General: ganhei de balaiada. Parecia até a Argentina pra cima da Sérvia e Montenegro.
Mais tarde fomos comer pizza a palito de talher (segundo Teddy, a "paliter") de palmito à bolonhesa e mussarela de búfala com tomate seco, rúcula e manjericão na Estação do Cardoso em Santa Tereza. Maravilha!
PS: Porque ainda não tem uma banda de heavy metal mineiro chamada Minério?

Thursday, June 29, 2006

toda escolha é uma perda

a melhor coisa da vida
é ter opções
a pior
é ter de optar

Saturday, June 17, 2006

PROPAGANDA DA COPA

a "monalisa" de pelé (a famosa jogada na copa de 70 que não resultou em gol)
sob efeito especial acaba em gol
"o gol que você sempre sonhou
está numa concecionária volkswagen"

(uma obra-obra inspirou outra obra-prima)

Sunday, June 11, 2006

MINAS NOVAS
















tava lá em Minas Novas pra dar aula
assistindo a copa na tv do hotel
quando o craque
da costa do marfim
marca o primeiro gol
do país
em copa do mundo
em cima da argentina
parabéns!!

Sunday, June 04, 2006

Raimundo

mundo humano
mundo mundano
mundo imundo
mundo raimundo
raio de mundo!

Wednesday, May 31, 2006

haicai misto-quente

pão de forma
presunto e mussarela
pão de forma

Sunday, May 28, 2006

ducha

tava tomando uma ducha
de água abundante e fervente
as gotas eram palavras
pingando na minha mente

Thursday, May 25, 2006

Caligrafia de Salah Al-Moussawy



Pour Salah MOUSSAWY, la calligraphie est l'art de forger, de sculpter des formes et des symboles qui interprètent des mots, mais aussi d'une tentative personnelle d'exprimer un sens instantané, que cache le mot, et de lui donner l'occasion d'acquérir une dimension supplémentaire.Dessiner un son ou un mot, et exprimer par un signe donné, exige un ressenti, une compréhension, jusqu'à faire corps avec lui au point de transformer tous les éléments qui le composent en une "réponse".

Friday, May 19, 2006

PAISAGEM

Thursday, May 18, 2006

Saturday, May 13, 2006

LUA CHEIA

ONTEM
A LUA CHEIA
TAVA SHOW DE BOLA

Wednesday, May 03, 2006

Poema-lua

Thursday, April 06, 2006

GAROTO MAXAKALI

Tuesday, April 04, 2006

HAICAI PARA BASHÔ

Monday, April 03, 2006

Sunday, April 02, 2006

SP

A COMPADECIDA

Eu só queria registrar que o filme "A compadecida" é uma obra-prima. Um épico do Brasil. Uma estética exótica. Estou pensando: é uma ópera.
Estou falando da primeira versão cinematrográfica da peça de Ariano Suassuna, de 1969, direção de George Jonas.

TEMPESPAÇO

em vênus
o dia é mais longo
que o ano

Thursday, March 23, 2006

RIACHO DO SANGUE

Acabo de assistir uma obra-prima do cinema brasileiro. Um verdadeiro faroeste caboclo. "Riacho do Sangue" é o nome do filme de 1966. Direção de Fernando de Barros, com Maurício do Valle num dos papéis principais, o filme conta uma história de cangaço passada no sertão pernambucano. A trilha sonora é de Guerra Peixe.
Se o cinema brasileiro fosse desenvolvido, com certeza haveria uma quantidade de filmes no estilo cangaceiro, que é o equivalente brasileiro do faroeste norteamericano. Como dizia Glauber Rocha, os Estados Unidos têm o western e o Brasil tem o "nordestern". Entre os clássicos do gênero estão "O Cangaceiro", de Lima Barreto, e "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha. E mais recentemente a nova versão de "O Auto da Compadecida", que tem outras duas, a primeira, de 1956, e a segunda, dos Trapalhões.
Aproveito para lincar aqui a entrevista que Dadá, montador de "Riacho do Sangue" e da primeira versão de "O Auto da Compadecida", deu ao Diário do Nordeste de Fortaleza, em 1999.
http://diariodonordeste.globo.com/1999/03/22/030006.htm
É cinema de verdade, como o defendido por Dadá em sua entrevista, feito com "colhões, coração e cabeça", que o sistema quer matar, mas ele teima em não mudar. Como diz a Rita do Brejo, em "Riacho":
"Se quer me matar
aqui tá meu rifle
mas o que tá no meu peito é firme
e nem tiro vai mudar."
(A cena do chicoteamento da beata é um show de montagem, digno de Eisenstein.)

Monday, March 20, 2006

Tempo

Relógio atrasado não adianta.

Sunday, March 19, 2006

VIDA E ARTE MAXAKALI

(Texto publicado na revista Destino Geraes, ano 1, n. 1, março de 2006)

Muita gente não sabe, mas em Minas vivem pelo menos oito nações indígenas. São elas: Maxakali, Pataxó, Krenak, Xacriabá, Xucuru-kariri, Pankararu, Aranã e Kaxixó. Os Maxakali surpreendem por ainda preservarem língua, religião, costumes e outros aspectos tradicionais de sua cultura como nenhum outro grupo. Pouco mais de mil pessoas, sendo a maioria da população de crianças, falam a língua maxakali, do tronco lingüístico macro-gê, família maxakali. Vivem em reserva no Vale do Mucuri, Nordeste do Estado, abrangendo dois municípios. No município de Bertópolis fica a aldeia de Pradinho. No de Santa Helena de Minas, a de Água Boa.
Povo tradicionalmente seminômade, caçador e coletor, é comum alguns grupos de poucos indivíduos abandonarem a reserva para longas peregrinações, muitas vezes chegando até Governador Valadares (onde há um centro de assistência aos índios mineiros), distante mais de 300 km. Seus ancestrais costumavam vagar por uma extensa área que abrange, além do Nordeste de Minas, o Sul da Bahia e o Norte do Espírito Santo. Após o contato com o colonizador europeu e a conseqüente diminuição de seu território, acabaram, enfim, confinados em reserva.
A primeira notícia que se tem desses índios é do século XVII, quando, aliados aos Patachós, lutaram contra seus inimigos ancestrais, os denominados Botocudos. Associados aos Bantos africanos, os Botocudos formaram a Confederação dos Guéren, na intenção de defender suas terras da invasão dos bandeirantes.Lutando ao lado do exército, os Maxakalis abrigam-se nos quartéis, tornam-se soldados ou canoeiros entre Belmonte e Araçuaí. Só mais tarde dão as costas aos militares e retornam às matas. Perambulam pela região, sofrem massacres, até que no começo do século XX fixam-se no território que ocupam até hoje. Aqui não cabe aquela visão idealizada de índios nus, vivendo isolados no meio das matas, sem contato com a chamada “civilização”. A maioria deles vive próxima a cidades do interior e mantém contato constante com a população envoltória. Mas a cultura indígena resiste com vivacidade.
Atualmente, os povos indígenas de todo o Brasil realizam uma revolução educacional. Desde a Constituição de 1988, que assegura às comunidades indígenas “a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem”, os governos estaduais deram início a programas educacionais direcionados a esses povos. Em Minas, em 1995, teve início o Programa de Implantaçãode Escolas Indígenas, que já formou turmas de professores indígenas em nível de magistério, dos quais 130 foram aprovados, em dezembro de 2005, no primeiro vestibular indígena da UFMG. A nova proposta educacional está transformando a cultura indígena em livros, CDs e filmes, inclusive para que as crianças índias tenham material didático a ser usado nas escolas.
Os Maxakalis possuem um rico e extenso acervo literário, composto de narrativas tradicionais, cantos, causos, depoimentos, anedotas, piadas, entre outros. Tradicionalmente oral, essa literatura agora ganha as páginas de livros bilíngües ricamente ilustrados.
A língua maxakali possui escrita. Na década de 1960, missionários norte-americanos viveram entre as tribos, aprenderam sua língua, instituíram uma escrita alfabética e ensinaram-na a alguns índios. Os professores das escolas indígenas, que normalmente são os autores dos livros, cartilhas, atlas e outras publicações, usam a língua escrita maxakali para contar suas histórias e transmitir seus conhecimentos às novas gerações, ao lado do tradicional e eficiente método oral. É uma produção literária inédita, na qual os próprios índios são os responsáveis pelo registro de sua tradição, visão demundo e formas artísticas.
Assim, surgem obras como O livro que conta histórias de antigamente, o primeiro maxakali, que apresenta narrativas mitológicas, depoimentos históricos e sobre o cotidiano nas aldeias, receitas de comida e remédios. Ou o Livro de cantos rituais maxakalis, que registra cantos tradicionais, os yãmiy, celebrados em suas cerimônias religiosas, chamadas yãmiyxop. Verdadeiros hinos à natureza, seus elementos e processos, tais cantos são poemas singelos. Cantados durante toda a noite em rituais que incluem dança e música, nos quais os participantes usam pintura corporal e comemoram com a ingestão de bebidas e alimentos, os yãmiy (palavra que designa também os espíritos de sua religião) são homenagens aos deuses indígenas: animais terrestres, aquáticos, pássaros, insetos, espíritosde ancestrais e outros.
A língua e cultura maxakali são patrimônios não só dos índios, mas de Minas e do Brasil. Pesquisadores da UFMG e de outras instituições debruçam-se sobre este ainda pouco conhecido aspecto de nossa cultura, transformando assim uma realidade. É comum que o saber sobre as raízes brasileiras se origine de mãos estrangeiras, mas a produção do conhecimento, as coisas e valores denossa terra devem ser domínio do povo que aqui vive.

Thursday, March 02, 2006

TOTONHO E OS CABRA É O CARA!


Nem Mick Jagger, nem Bono Vox. O cara da hora é Totonho, e com ele vem os cabra.
"Sabotador de Satélite" é o nome do CD. "Embolada dance", como define o próprio Totonho, (às vezes beirando um tecno-brega da melhor qualidade) seu som é um prenúncio do que se poderá ouvir numa birosca inter-galáctica. É música para o futuro, sem dúvida. Ouvindo Totonho fica fácil imaginar como será a sobrevivência do estilo de vida nordestino quando a conquista do espaço já estiver a passos largos.
O CD é tudo: revolucionário, experimental, subversivo. As letras podem trazer pérolas do tipo:
"Lá em Mercúrio mais parece Pernambuco
Já tem cabra de trabuco
Que é da guarda estelar
Já tem buchada numa birosca em Plutão
E um novo Lampião no espaço sideral".
Da Paraíba, Totonho e os Cabra já é sucesso nas Oropa e nos States, mas o Brasil, no ritmo de suas conquistas espaciais, ainda não sacou o cara!

Wednesday, February 22, 2006

CANÇÕES

SOCORRO - Arnaldo Antunes

Intro: G Am Bm

G D Em D
Socorro não estou sentindo nada
G
Nem medo nem calor nem fogo
Em Am
Não vai dar mais pra chorar
D
Nem pra rir

G D
Socorro alguma alma mesmo que penada
Em D
Me empreste suas penas
G Em
Já não sinto amor nem dor
Am D
Já não sinto nada

Em D
Socorro alguém me dê um coração
Em D
Que esse já não bate nem apanha
G D
Por favor uma emoção pequena

Qualquer coisa
Am D G Em
Qualquer coisa que se sinta
Am
Tem tantos sentimentos
D G Em
Deve ter algum que sirva

G Em
Em qualquer cruzamento
Am
Acostamento
Em
Encruzilhada
G D Em D
Socorro alguma rua que me dê sentido
G Em
Socorro eu já não sinto nada

G Am Bm


EU NÃO SABIA QUE VOCÊ EXISTIA - Arrigo Barnabé

Quando eu te conheci, meu bem

Nem acreditei

Você era a garota que eu sonhei

Seus olhos lindos sempre

Olhando nos meus

Olhei pro céu e até, meu bem

Dei graças a Deus

Por ter enfim encontrado o amor

Que eu sempre procurei com tanto ardor

Jamais imaginei, meu bem

Te ver algum dia

Eu não sabia que você existia

Tuesday, February 21, 2006

CRÔNICAS E ANACRÔNICAS

SANTA TEREZA
Presidiárias fugiram ontem à noite de um presídio feminino em Belo Horizonte, graças à famosa "tereza", corda feita de lençóis amarrados, muito usada em fugas de presos. Mas a fuga foi descoberta graças a uma outra Tereza, a de Jesus, uma das presidiárias que fugiam. Beata, devota de Santa Tereza, Terezinha de Jesus, apavorada de medo das alturas do terceiro andar do presídio, fez da sua xará um terço e ia parando a cada nó da imenda dos lençóis na corda para rezar um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria", para só depois então passar ao próximo nó, em meio a tremedeiras e esconjuros. Como a "tereza" tinha pelo menos uns sete nós, Terezinha de Jesus acabou prejudicando a fuga das demais presidiárias que vinham atrás dela, fazendo com que a polícia descobrisse a tempo a ação e impedisse o resto das presas de fugir, inclusive Terezinha.
Depois disso, dizem que Terezinha está jurada de morte pelas companheiras de presídio, estando inclusive sendo mantida em cela separada. Por outro lado, uma ala de presidiárias católicas, contrárias à fuga, diz que Terezinha é santa, pois impediu, com o poder de Deus, que a fuga se completasse e ameaçam agora atear fogo aos próprios corpos em protesto, se o cardeal de Belo Horizonte não comparecer ao presídio para ouvir seus apelos para a canonização da primeira santa presidiária do Brasil.

Lenda urbana: “O DEMÔNIO DA TRINCHEIRA”
Na trincheira da Av. Antônio Carlos, próximo à lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, há uma estranha escultura. Com o corpo desproporcionalmente grande e disforme, e uma cabeça de orelhas enormes que se parece com a de um cachorro, a bizarrice do monumento deu ensejo para que se fizessem as interpretações mais estapafúrdias da obra. Dentre elas a de que aquilo seria uma espécie de imagem em homenagem ao demônio. Era o próprio capeta. O cão. O chifrudo. O que-seja.
Diz a lenda ainda que um movimento organizado dos evangélicos da cidade certa feita protestou junto à peça com o argumento de que o prefeito de Belo Horizonte, Sr. Pimentel, que construíra a "diabólica" obra, tinha parte com o Demo, e que o elogiara com a construção da estátua.

Monday, February 20, 2006

DESENHO: Homem russo

Wednesday, February 15, 2006

ENSAIO



Publicado no Boletim Informativo Letras da FALE/UFMG em dezembro de 1996:

CALIGRAFIA ÁRABE: POESIA CONCRETA
Charles Bicalho

“São novas maneiras de ser das palavras e das coisas”
Mário Faustino

S. H. Nasr, influente intelectual muçulmano da atualidade, em entrevista ao caderno Mais! da Folha de São Paulo de 10 de março de 1996, diz que “o Islã é contra qualquer representação naturalista”. Sobre a arte islâmica, ele fala do “caráter geométrico, abstrato e arabescado da sua ornamentação e do desenho dos seus edifícios”. Sendo a caligrafia uma das principais formas de expressão artística do mundo islâmico, não é difícil perceber nela tais características.
A caligrafia árabe é usada sobretudo para veicular as mensagens do Qur’an, ou Alcorão, livro sagrado islâmico, ou do Hadith, que contem as palavras dos profetas. Hassan Massoudy, conceituado calígrafo árabe, diz usar também provérbios, sabedoria popular, e ainda poemas orientais ou ocidentais.
Por ser uma arte tradicional, na caligrafia árabe é dada muito mais ênfase aos grandes mestres do que aos inovadores. Não obstante, alguns mestres são grandes inovadores. Entre os principais calígrafos árabes estão al-Dahhak Ibn Ajlan, Ishaq Ibn Hammad, Abu Ali Mohammed Ibn Muqlah e Abu Abd Allá.
A caligrafia árabe produziu vários estilos de escrita ao longo de sua história. Os principais são: o Deewani, o Farsi, o Kufi, o Naskh, o Req’aa e o Thuluth. Eles são conhecidos como al-Aqlam al-Sittah ou Shish Qalam, que quer dizer: “as seis penas” ou “os seis estilos”.
“A caligrafia é uma arte abstrata em que a letra, a palavra, faz-se imagem. É uma arte do signo. A arte ocidental contemporânea é também uma arte de signos, na qual o espectador deve decifrar e interpretar à sua maneira, como percebe, o sentido da obra”, diz Nasr, que nos faz perceber, por suas palavras, a afinidade entre esta arte e a poesia concreta, em que a palavra também se faz imagem, através de um trabalho intenso com o signo, inclusive o não-verbal.
Para evidenciar ainda mais esta relação, podemos citar algumas diretrizes poéticas traçadas no famoso manifesto “Plano-piloto para poesia concreta”: o espaço gráfico; o espaço qualificado: estrutura espácio-temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico-linear; a idéia de ideograma; o sentido geral de sintaxe espacial ou visual; tipografia fisiognômica; valorização expressionista do espaço; arquitetura funcional do verso; estrutura-coteúdo; comunicação de formas; isomorfismo. Penoso e talvez desnecessário seria explicar cada uma das expressões apresentadas pelos concretistas. De qualquer maneira, em linhas gerais, se compreende a relação delas com o aspecto visual da comparação que aqui traço.
A afinidade com a caligrafia que é usada inclusive pelos califas como símbolo de poder já foi explicitada pelos concretistas. Quem já teve nas mãos uma edição do Anticrítico de Augusto de Campos deve se lembrar do tigre caligrafado que ilustra sua capa. Haroldo por sua vez escreveu o poema “Arabescando”.
Pensando nas afinidades entre o Barroco e o Concretismo, tomemos a própria palavra “arabesco”, que designa os caprichosos ornatos ao estilo árabe tão caros aos barrocos do século XVII, bem como aos chamados barrocos cibernéticos da atualidade, cuja última expressão mais significativa na poesia provavelmente foi Haroldo de Campos.
Analogamente ao que se convencionou designar por conflitos da arte barroca: espiritual/material, terreno/celestial, claro/escuro, etc, a caligrafia árabe é expressão - se não de um conflito, e para não dizermos de uma contradição – do que poderíamos chamar de uma dicção conciliadora, pois como diz Massoudy, “a cultura e a sociedade islâmicas não fazem uma distinção entre o sagrado e o profano, não há as dicotomias materiais e espirituais nas quais dividimos o pensamento no mundo ocidental”.
O mesmo Massoudy diz que “a caligrafia, mesmo se despojada ao extremo, simplificada, estilizada, permanece como uma escrita que – com maior ou menor dificuldade – se pode decifrar”. O que se aproxima da idéia de poema-equação dos concretistas que, também pede um decifrador. Haroldo de Campos afirma mesmo que “a poesia concreta – que é, como a matemática, um sistema especial, não aristotélico de linguagem – possui, também, através do número temático, um instrumento de controle que evidencia e elimina os elementos que entram em contradição com sua estrutura rigorosa”. Andréa Soares Santos, no ensaio “Poesia Concreta/Com Creta/Creta/Labirintos?”, usa como metáfora dessa poética o labirinto e diz que este também encerra a idéia de desafio, uma vez que acende o desejo de desvendar.
Poema como objeto-útil. Esta é uma das propostas da poesia concreta. O poema é um “objeto em si e por si mesmo, não um intérprete de objetos exteriores e/ou sensações mais ou menos subjetivas”, como escreve Augusto de Campos. “Objeto fulcrado no tempo do nosso tempo”, como diz Décio Pignatari sobre a linguagem de Oswaldeandrade, e, por isso, “precário e útil, como a própria vida. Útil: que se usa”. Em relação à caligrafia, Yasin Hamid Safadi, autor de Islamic Calligraphy, escreve: “A primazia da palavra no Islã é refletida na aplicação virtualmente universal da caligrafia”. Essa “aplicação virtualmente universal” se traduz no fato de que as inscrições da arte caligráfica estão presentes em todos os tipos de objetos e locais no Islã – nos objetos de uso cotidiano, na superfície inteira de um muro, na mobília das mesquitas, em seus interiores e exteriores, nos túmulos, e no al-Kaba, o mais famoso santuário do Islã – e ser um motivo de orgulho para as pessoas. Ou seja: a arte da caligrafia, sendo vinculada a esses objetos, acaba se confundindo com ele, tornando-se também objeto. Com isso adquirindo um caráter de funcionalidade, utilidade.
Khalid Mubireek diz que “em quase todos os escritos árabes, o espaço entre linhas transbordaum senso de liberdade e a flexibilidade como que revela a criatividade e espontaneidade do calígrafo. No momento da caligrafia e pelo senso de equilíbrio do calígrafo, é alcançada uma tranqüila harmonia que apela imediatamente à mente e ao coração”. E continua: “Através da beleza abstrata das linhas, a energia flui nas e entre as linhas e palavras. E isso integra todos os constituintes num conjunto”. E, por fim, ele diz: “Esses constituintes incluem espaços positivos, que ser referem às linhas; espaçoes negativos, que se referem ao espaço vazio entre as linhas e na página” (lembremos o espaço em branco mallarmeano); “e a energia fluindo através do sofisticado trabalho de entrelaçamento do calígrafo. Décio Pignatari, por sua vez, escreve, em Informação/Linguagem/Comunicação: “Quem fala relação fala linguagem, uma vez que uma relação só pode ser explicitada sob alguma forma sígnica”. O que faz coro com Augusto de Campos, no ensaio “Poesia, estrutura”, quando este usa a palavra “estrutura” tendo em vista “uma entidade medularmente definida pelo princípio gestaltiano de que o todo é mais que a soma das partes, ou de que o todo é algo qualitativamente diverso de cada componente, jamais podendo ser compreendido como um mero fenômeno aditivo”, para designar o processo de organização poética do Un Coup de Dês de Mallarmé. E quando Nasr diz que a arte islâmica é “uma arte que tenta representar e refletir a idéia central do Islã, a da unidade divina (tawhid) e que tenta integrar multiplicidade na unidade” não é descabido afirmar que se trata de uma proposição gestaltiana de estrutura.
Concluindo, os trabalhos de caligrafia árabe são um vigoroso noigandres contra a monotonia do nosso anêmico alfabeto ocidental. Arriscar-se na decifração de seus enigmas pode se revelar um venturoso lança de dados. Vale, no mínimo, a hipótese de Mallarmé: “rien ou presque un art”.

KOKEY É O CÃO


Apresento-lhes: Kokey, o cão da casa. Kokey é o nosso cachorro. Nós o apanhamos na Sociedade Protetora dos Animais para viver com a gente. Dentre tantos caninos abandonados, Kokey nos conquistou instantaneamente.


Assim que nos viu, Kokey correu em nossa direção, pôs as patas na grade do canil e ficou implorando para que o tirássemos dali. Se algum outro cachorro se aproximava, ele rosnava e o expulsava. Claro que não resistimos e sentimos de imediato uma forte identificação com esse vira-latinha. Kokey foi adotado já faz uns três anos e só nos trouxe alegria. Kokey quer dizer "cachorro" na língua maxakali.